A ansiedade é uma reação natural do corpo diante de situações desafiadoras ou ameaçadoras. Todos nós já experimentamos ansiedade em algum momento — seja antes de uma entrevista de emprego, ao falar em público ou ao enfrentar um problema inesperado. Essa é a chamada “ansiedade comum”, uma resposta temporária que nos ajuda a lidar com desafios e nos manter alertas.
No entanto, quando a ansiedade passa a ser frequente, intensa e persistente, a ponto de prejudicar a qualidade de vida, pode ser um sinal de Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG). Embora ambas compartilhem sintomas semelhantes, como preocupação e tensão, há diferenças importantes que ajudam a distingui-las.
Ansiedade Comum
A ansiedade comum está diretamente ligada a situações específicas e geralmente desaparece quando o evento estressante passa. Alguns exemplos incluem:
- Preocupação antes de um exame ou apresentação.
- Sentir-se nervoso antes de uma mudança importante, como mudar de cidade ou começar um novo trabalho.
- Estar tenso em situações desafiadoras, mas ainda capaz de relaxar e se recuperar após o evento.
Os principais aspectos da ansiedade comum são:
- Duração limitada: A ansiedade se resolve após a situação desafiadora ser superada.
- Intensidade controlada: Apesar do desconforto, ela não impede a pessoa de continuar suas atividades diárias.
Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG)
O TAG, por outro lado, é caracterizado por preocupações excessivas e incontroláveis, que se mantêm mesmo sem uma causa aparente. Pessoas com TAG costumam se sentir constantemente preocupadas com aspectos diversos da vida, como trabalho, saúde, segurança e relações.
Os principais aspectos do TAG incluem:
- Preocupações excessivas: As preocupações vão além do razoável e parecem desproporcionais à situação real.
- Duração prolongada: Os sintomas persistem por meses e, em muitos casos, anos.
- Sintomas físicos: Além das preocupações, o TAG pode causar sintomas como tensão muscular, dificuldade para dormir, fadiga constante e irritabilidade.
- Impacto na vida: A ansiedade interfere significativamente nas atividades diárias, prejudicando o desempenho no trabalho, nos estudos e nas relações interpessoais.
Dados apontam que o TAG afeta cerca de 3,6% da população mundial anualmente, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). É mais comum entre mulheres e frequentemente se desenvolve na infância ou adolescência, embora possa surgir em qualquer fase da vida.
Como saber se é TAG ou Ansiedade Comum?
Se você percebe que sua ansiedade:
- É desproporcional aos eventos que está enfrentando;
- Persiste por longos períodos, mesmo sem um gatilho claro;
- Prejudica sua capacidade de se concentrar, relaxar ou realizar tarefas do dia a dia;
- Está acompanhada de sintomas físicos como insônia, dores musculares ou cansaço extremo,
é importante buscar orientação de um profissional de saúde mental. Somente um psicólogo ou psiquiatra pode realizar o diagnóstico correto e recomendar um plano de tratamento adequado.
Tratamento e Apoio
O tratamento para TAG costuma incluir psicoterapia, como a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), que auxilia no desenvolvimento de estratégias para lidar com preocupações excessivas. Em alguns casos, pode ser necessário o uso de medicamentos prescritos por um psiquiatra.
Além disso, práticas como Mindfulness, autocuidado e técnicas de relaxamento podem ser complementares para gerenciar a ansiedade e promover o bem-estar. A prática de autocompaixão, por exemplo, é uma ferramenta poderosa para reduzir a autocrítica e lidar com os momentos difíceis de maneira mais gentil e equilibrada. Estudos mostram que pessoas que praticam autocompaixão apresentam menor nível de ansiedade e maior resiliência emocional.
Lembre-se: não é fraqueza pedir ajuda. Buscar apoio é um passo essencial para recuperar o equilíbrio emocional e viver de forma mais leve e plena.